Como o Sonic Youth (e o SOAD) é a bola da vez em São Paulo, trago ao blog uma de suas influências: o MC5.
O Motor City 5 está fixado de forma maciça nos anos de aço da década de 60. Desafiando a cultura hippie com seu lema "Peace, Love and Flower Power", eles lançaram "Rock'n'Roll, Dope and Fucking in the Street", através do Partido Político que pregava a liberdade além de tudo: "Eu sempre achei que paz e amor eram coisas boas, mas têm de ser amparadas por ativismo político." diz White Kramer, líder do MC5. Com apenas 3 anos de estrada nas antigas (1968 - 1972), eles conseguiram abalar toda a Detroit e lançar bases para tudo o que surgiu por ali, desde o punk, metal, grunge, etc. Desde o Motorhead ao The White Stripes, é sempre perceptível as influências do MC5. "Nós chamávamos de avant-rock", diz WK ao perguntarem a ele que tipo de punk eles faziam, "Nós queríamos expandir a música para além dos limites que ela tinha alcançado até então. E este era um movimento musical, não tanto do rock, mas do jazz: do free-jazz de Ornette Colleman, Sun Ra, John Coltrane e Archie Sheep. Nós nos inspiramos neles para tentar avançar com o rock na mesma direção" completa. E conseguiram. Com essa veia jazzística o MC5 passou por várias vertentes do rock, deixando sempre a sua contribuição. Podemos destacar o garage-rock, do qual muitos dizem que eles são os percursores; o proto-punk, que juntamente com nomes de peso como The Velvet Underground, The Stooges, The Sonics, New York Dolls, etc. formam o gênero que deu origem a toda a música punk de 1970 até hoje; o hard-rock, blues-rock e até mesmo o rock psicodélico estão presentes nos 3 discos da banda.
Na época, a constante censura comercial, as drogas pesadas e intensas e o extensos desentendimentos com a lei contribuíram para o fim da banda. Em 1991, Rob Tyner (vocal) faleceu de ataque cardíaco (ele havia gravado um álbum solo). Em 1995, Fred "Sonic" Smith morreu de câncer e deixou viúva outra pioneira do proto-punk, a roqueira Patti Smith. Os membros remanescentes, White Kramer, Dennis Thompson e Michael Davis reformaram a banda, chamando-a dessa vez de "dkt/MC5", desde então, a banda conta com várias participações especiais nas turnês e segundo o WK: "Temos escrito algumas músicas novas para um próximo disco. Mas não temos pressa de gravar". E não têm mesmo, essa declaração faz parte de uma entrevista dada a Antonio Farinaci, editor do UOL Música em 2005, quando o dkt/MC5 se apresentou no Campari Rock acompanhado de Mark Arm, ex-vocalista do Mudhoney, e Gilby Clark, ex-guitarrista do Guns N'Roses.
Desde então, muita coisa sobre o MC5 foi produzida: os documentários "MC5: The True Testimonial" e "Sonic Revolution: A Celebration of the MC5", o primeiro revela a última grande história não contada de 1960 e o segundo traz aos fãs o histórico reencontro no London's 100 Club, em 2004; e outras tantas compilações que reúnem além do material encontrado nos 3 discos lançados de 68/72 uma série de canções ao vivo e raridades.
Abaixo, links para o download da discografia e uma entrevista que o líder White Kramer deu à Folha de São Paulo em 2008.
Rock para a sua trilha.
KICK OUT THE JAMS (1968)
LIVE AT STURGIS ARMONY (1968)
BACK IN THE U.S.A. (1970)
HIGH TIME (1971)
'66 BREAKOUT! (1999)
THE BIG BANG - THE BEST OF THE MC5 (2000)
Fontes: Whiplash, VH1, FOLHA DE SÃO PAULO, UOL MÚSICA, WIKIPEDIA, MOFO E THE PIRATE BAY.







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